segunda-feira, 5 de maio de 2014

Felicidade


Ontem, iniciei uma nova leitura a qual seu prefácio chamou-me atenção. Como ela me fez refletir bastante, decidi compartilhar uma parte dele com vocês. O texto é um pouco extenso mas vale a pena ser lido.

"Desde os primórdios da humanidade, o ser humano procura a felicidade como a terra seca clama pela água. É fácil conquistá-la? Nem sempre! Os poetas a homenagearam, os romancistas a descreveram, os filósofos a contemplaram, mas grande parte deles a saudaram apenas de longe.

Os reis tentaram dominá-la, mas ela não se submeteu ao seu poder. Os ricos tentaram comprá-la, mas ela não se deixou vender. Os intelectuais tentaram entendê-la, mas ela os confundiu. Os famosos tentaram fasciná-la, mas ela lhes contou que preferia o anonimato. Os jovens disseram que ela lhes pertencia, mas ela lhes disse que não se encontrava no prezar imediato e nem se deixava encontrar pelos que não pensavam nas consequências dos seus atos.

Alguns acreditaram que poderiam cultivá-la em laboratório. Isolaram-se do mundo e dos problemas da vida, mas a felicidade enviou um claro recado dizendo que ela apreciava o cheiro de gente e crescia no  meio das dificuldades. Outros tentaram cultivá-la com os avanços da ciência a da tecnologia, mas eis que a ciência e a tecnologia se multiplicaram e a tristeza e as mazelas da alma se expandiram.

Desesperados, muitos tentaram encontrar a felicidade em todos os cantos do mundo. Mas no espaço ela não estava, nos mais altos edifícios não fez morada, no interior dos palácios não habitava. Cansados de procurá-la, alguns disseram: 'ela não existe, é um sonho de sonhadores que nunca acordam.'

A felicidade bateu à porta de todos. Deu sinal de vida na história dos abatidos e dos animados, dos depressivos e dos sorridentes, dos que representam e dos que vivem sem maquiagem. Sussurrando aos ouvidos do coração, ela disse baixinho: 'Hei! Não estou no mundo em que você está, mas no mundo que você é !'. Confusos, gritando: 'O quê?  Fale mais alto!'. Com a voz de uma suave brisa ela delicadamente balbuciou: 'Não  me procure no imenso espaço nem nos recantos da terra. Viaje para dentro de você.  Eu me escondo nas vielas da sua emoção, no cerne do seu espírito.'

A maioria das pessoas não entendeu a sua linguagem. Esperavam que ela se manifestasse como o ribombar dos trovões. Mas ela ama o silêncio. Sorrateira, ela  aparece quase imperceptível nas curvas da vida e nas coisas singelas da existência.

Por não entendê-la, navegamos sem leme. Desprezamo-la, mas ela resistiu. Maltratamo-la, mas ela, por um instante, apareceu e logo se dissipou. O resultado é que a felicidade habitou na alma de muitos por pouco tempo e na alma de poucos por toda a vida..."

Augusto Cury
Treinando a Emoção para Ser Feliz.

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